*
os longos dias de maio
rubros e doces
na longínqua memória
dos pássaros.
é tempo de aparelhar a cana
e descer ao rio
trutas hortelã
lençóis de linho: uma palavra
uma palavra no bolso.
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sexta-feira, 1 de maio de 2015
sábado, 30 de novembro de 2013
Lembrança de maio
*
Meu coração bate desamparado
onde minhas pernas se juntam.
É tão bom existir!
Seivas, vergônteas, virgens,
tépidos músculos
que sob as roupas rebelam-se.
No topo do altar ornado
com flores de papel e cetim
aspiro, vertigem de altura e gozo,
a poeira nas rosas, o afrodisíaco
incensado ar de velas.
- A santa sobre os abismos -
à voz do padre abrasada
eu nada objeto,
lírica e poderosa.
Adélia Prado
Terra de Santa Cruz, ed. Nova Fronteira, 1981
Meu coração bate desamparado
onde minhas pernas se juntam.
É tão bom existir!
Seivas, vergônteas, virgens,
tépidos músculos
que sob as roupas rebelam-se.
No topo do altar ornado
com flores de papel e cetim
aspiro, vertigem de altura e gozo,
a poeira nas rosas, o afrodisíaco
incensado ar de velas.
- A santa sobre os abismos -
à voz do padre abrasada
eu nada objeto,
lírica e poderosa.
Adélia Prado
Terra de Santa Cruz, ed. Nova Fronteira, 1981
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Adélia Prado,
os que vêm de maio
sábado, 18 de maio de 2013
Verossímil
Antigamente, em maio, eu virava anjo.
A mãe me punha o vestido, as asas,
me encalcava a coroa na cabeça e encomendava:
"Canta alto, espevita as palavras bem."
Eu levantava vôo rua acima.
Adélia Prado
Bagagem, Ed. Guanabara
A mãe me punha o vestido, as asas,
me encalcava a coroa na cabeça e encomendava:
"Canta alto, espevita as palavras bem."
Eu levantava vôo rua acima.
Adélia Prado
Bagagem, Ed. Guanabara
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sábado, 1 de maio de 2010
Giestas
trazem ramos de giestas.descem os
montes assim floridos: o primeiro dia
as giestas alumiam a casa
rito de espantar fome e penúria, diriam os velhos.
os que vêm de maio comem as derradeiras
laranjas cativos na cega paixão
das cerejas. às vezes sentam-se e contam
palavras que apartam
devagar dos bolsos. às vezes adormecem
e emigram no rumor da tarde.
montes assim floridos: o primeiro dia
as giestas alumiam a casa
rito de espantar fome e penúria, diriam os velhos.
os que vêm de maio comem as derradeiras
laranjas cativos na cega paixão
das cerejas. às vezes sentam-se e contam
palavras que apartam
devagar dos bolsos. às vezes adormecem
e emigram no rumor da tarde.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Negras penas
os estorninhos apagaram o sol do diospireiro
e talvez por isso as suas negras penas ficam luzidias.
inverno. as chuvas atordoam a manhã e o silêncio
das aves. é inverno: os que vêm de maio acomodam-se
no lugar enxuto. deixam passar as chuvas frias.
e talvez por isso as suas negras penas ficam luzidias.
inverno. as chuvas atordoam a manhã e o silêncio
das aves. é inverno: os que vêm de maio acomodam-se
no lugar enxuto. deixam passar as chuvas frias.
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Inverno,
os que vêm de maio
segunda-feira, 10 de março de 2008
[carta de minha mãe]
com as trovoadas de Maio comeremos peixes do rio
abandona a arte da subtileza e traz assobios para os cães.
os marmeleiros já têm melros e outros frutos
as mãos, que as tuas mãos regressem de monte a monte.
Rui Duarte Mangas
(“as raparigas trazem braçadas
de lírios como se fossem estrelas mortas”,
hidra editores)
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