Mostrar mensagens com a etiqueta os dias da musa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta os dias da musa. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A pequena morte

Tão perturbado amor
este, o que escorre
como a goma das árvores,
este que feito cão
uiva e cintila.

O amor com suas facas, suas cordas,
o seu lenço cigana -
- abrindo as frestas,
dividindo a pele.

Eis a mulher. Deitada sobre os sons
na volúpia da espera:
a pão e água.
Desejando o amor, o risco exangue,
a exposição das coxas,
o temível sabor do homem.

Esperando:
como um ser punido e olhado,
entre cetins desfeitos,
a ferida.

A vagarosa morte,
esse prazer.

Hélia Correia
in A pequena morte

terça-feira, 30 de junho de 2009

MUSA DOMÉSTICA

Cheio d'inspiração,Lucano escreve:
O aureo estilete célere caminha
Como doirado insecto na tabuinha
Que a cera cobre de camada leve.

Por traz do Poeta, surge,alva de neve,
Polo Argentaria, dele se avizinha
E espreita os versos: nunca uma rainha
Tão jubiloso e nobre orgulho teve!

Nisto, a meio um verso, o poeta hesita;
Mas Pola, em doce voz, logo lhe dita
O hemistíquio fugaz que tanto o rala;

E ao escrevê-lo, febril,com mão nervosa,
Marco Lucano crê, sem dar p'la esposa,
Que é a própria Calíope quem fala...

Eugénio de Castro

in Camafeus Romanos