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sábado, 4 de outubro de 2014
A laranja
a manhã no silêncio dos choupos
à beira da água limpa
como uma noite leve de granito
qualquer dia a luz
será tão nossa que cegaremos os olhos
em farpas de cristal
antiquíssimo como o nosso desejo
o nosso desejo é uma laranja perdida
no rio de ternura violenta
quem me expulsou do paraíso branco
pintado de fresco
pintado de fresco porque é branco
azul é a anulação do preto
o sol é a anulação do azul
em áfrica há sol e azul
em separação de bens
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palavras dos anos oitenta,
Porto,
Rua do Breyner
sábado, 2 de março de 2013
Utopia realizável
é na rua que tudo começa.
hoje foi lindo: hoje voltei
a ter orgulho de ser português.
hoje vi gente com uma cábula
a cantar a grândola
gente jovem a descobrir abril
na rua tudo começa
na rua a palavra se faz substância de utopia realizável.
hoje foi lindo: hoje voltei
a ter orgulho de ser português.
hoje vi gente com uma cábula
a cantar a grândola
gente jovem a descobrir abril
na rua tudo começa
na rua a palavra se faz substância de utopia realizável.
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dois de março,
grândola,
Porto
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Cidade submersa
submersa a cidade, abraço
húmido e vagaroso. os que vêm
de maio (agora no pousio da escrita)
não entendem a névoa
muito menos a melancolia
das camélias floridas.
procura
procura os esporões
da magnólia (resistiram
a todos os frios)
prontos a ceder à brancura
e talvez descubras errático destino.
húmido e vagaroso. os que vêm
de maio (agora no pousio da escrita)
não entendem a névoa
muito menos a melancolia
das camélias floridas.
procura
procura os esporões
da magnólia (resistiram
a todos os frios)
prontos a ceder à brancura
e talvez descubras errático destino.
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