*
Se me desta terra for
eu vos levarei amor.
Nem amor deixo na terra
que deixando levarei.
Deixo a dor de te deixar
na terra onde amor não vive
na que levar levarei
amor onde só dor tive.
Nem amor pode ser livre
se não há na terra amor.
Deixo a dor de não levar
a dor de onde amor não vive.
E levo a terra que deixo
onde deixo a dor que tive.
Na que levar levarei
este amor que é livre livre.
Manuel Alegre
Praça da Canção
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terça-feira, 7 de abril de 2015
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Um Barco para Ítaca
ULISSES
E havia laranjas. Havia um país de leite
e de limão.
Havia cântaros carregados de azeite.
Pedras e cabras.
Raparigas.
Ai as ruas estreitas. E o sol. As sombras. Havia
uma canção
que falava do vento e das espigas.
E agora só palavras. Só palavras.
Minha nação já só de cardos e caruma.
Ausências. Fantasmas.
(...)
CORO
As palavras estão gastas e este tempo é de agir.
Precisamos dum barco. Um barco para partir
um barco para chegar. Um barco para encontrar
Ulisses perdido no mar.
Manuel Alegre
Um Barco para Ítaca, ed. Centelha, 1971
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