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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
[O desenho na argila]
S. João de Loure - pequeno monólogo sobre a ruína
em fevereiro corre um rio
é um rio menino
o desenho na argila
ou antes
o mês na boca da noite
uma lâmina sobre o país
em fevereiro corre um rio
digo: "é o receio da pedra
o sono viscoso a vinha
na encosta a dor da faca"
em fevereiro corre um rio
é um rio menino
triste como o vinagre do exílio
ou antes
a poeira das máquinas
em fevereiro corre um rio
digo: "é a saliva da guerra
a memória inquieta a palavra
de chumbo a explosão da casa"
António Manuel Lopes Dias
País Ignorado, ed. Centelha, Coimbra 1973
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segunda-feira, 21 de outubro de 2013
[A voz emboscada]
Não há um amigo
perto. Outros pés
não há que tragam
o ir e o vir
de um milhar de ruas
Há uma boca
industrial e devora
a raiva toda
dos lugares.
Há a voz emboscada
nos livros por ler
os pulsos que não
nos levam já
a qualquer carta
pelo menos hoje
pelo menos carta.
Há as mães acordadas
e emigram connosco
noite após noite
para o dia seguinte
e a cicatriz que cose
pela face alguns
remendos doutras
companhias.
Victor Matos e Sá
Companhia Violenta, ed. Centelha, 1980
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Invocação
Oh! desgraçada Hispania
de belo nome, rosa
de minúsculas pátrias!
Como podemos ainda
tolerar que os bárbaros
sujem o teu nome?
Francesc Vallverdú
in Poetas Catalães de Hoje
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