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terça-feira, 30 de junho de 2015

Resistência grega

Dois soldados motoristas alemães chegaram às portas de Atenas. Ordenaram a um rapazinho que subisse a uma torre e arriasse a bandeira, envolveu-se nela e atirou-se do alto da torre. No mesmo momento em que começava a ocupação da Grécia começava também a resistência. Era o mês de Abril do ano de 1941. A história dos gregos contemporâneos é um calvário. (...)


Eduardo Haro Tecglen,
 escrito em 1969, para o livro
 Grécia, Ano Quinto, Pub. Dom Quixote, 1972

sexta-feira, 26 de junho de 2015

A Grécia à frente


O povo grego não é um povo complacente
O fogo disparado sobre ele é-lhe vitória
Os mais pequenos entre eles são loucos
Por liberdade razão e sua força


Ao longo da grandeza humana têm mãos
Para oporem aos punhos pés contra as garras
À guerra opõem eles a mãe-justiça
E a necessidade os guia e os ensina


A Grécia é um país sem arroios para os ratos
Ali não tem a peste túmulos consagrados
Não faz medo viver não estende sombra a morte
Lutar pelo que é seu apaga o tempo-noite


Neste cume da terra no coração da luz
O povo todo unido abre uma porta imensa
Para a paz desarmada e é aí que sucumbem
Os bárbaros aí que secará seu sangue

Na aragem do mar flor da fraternidade.

Paul Éluard

poemas políticos,  ed. Presença
trad. Carlos Grifo

domingo, 22 de fevereiro de 2015

O crocodilo no meio do corredor

*

cerejas e chuva
no maio maduro,
josé, da alegria das aves.
os homens voam cabisbaixos.
o crocodilo no meio do corredor
nos degraus de laura
exibe as condecorações antigas

como chegou ele aqui
assim pesado, sem dissímulo?
mostra os dentes
mostra o gasto cavalo-marinho
impõe silêncio
na nação sob escuta.

vivemos a guerra, josé.
o velho crocodilo
avança: ele ou o caos.
para quê dois braços: ele come
um braço.
desperdício ter duas pernas: ele devora-nos
as pernas.
para quê esses e outros luxos,
diz o crocodilo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A GRÉCIA À FRENTE


O povo grego não é um povo complacente
O fogo disparado sobre ele é-lhe vitória
Os mais pequenos entre eles são loucos
Por liberdade razão e sua força


Ao longo da grandeza humana têm mãos
Para oporem aos punhos pés contra as garras
À guerra opõem eles a mãe-justiça
E a necessidade os guia e os ensina


A Grécia é um país sem arroios para os ratos
Ali não tem a peste túmulos consagrados
Não faz medo viver não estende sombra a morte
Lutar pelo que é seu apaga o tempo-noite


Neste cume da terra no coração da luz
O povo todo unido abre uma porta imensa
Para a paz desarmada e é aí que sucumbem
Os bárbaros aí que secará seu sangue

Na aragem do mar flor da fraternidade.

Paul Éluard

poemas políticos,  ed. Presença
trad. Carlos Grifo

quarta-feira, 27 de junho de 2012

4. POVO



Pequeno povo, luta sem espadas e sem balas
pelo pão, pela luz e pela canção de todo o mundo.


Guarda sob a língua os gemidos e os vivas
e quando se decide a cantá-los, até as pedras rebentam.


Giánnis Ritsos
Dezoito Dísticos para a Pátria Amargurada (1973)

In Antologia, trad. Custódio Magueijo
Ed. Fora do Texto, Coimbra 1993