segunda-feira, 30 de março de 2015
sábado, 28 de março de 2015
Verde mais verde
Cúmplice de Madame Bovary
no metro que atravessa a manhã
mais verde o silêncio das árvores
depois das chuvas
os campos lavrados
pressentem o secreto fogo de maio
verde mais verde
o metro pelo meio do arvoredo
terça-feira, 24 de março de 2015
[o teu cavalo]
*
Conduz o teu cavalo sobre o fio de uma espada,
oculta-te como puderes no meio das labaredas.
Herberto Helder
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Herberto Helder,
Poesia Toda
domingo, 22 de março de 2015
O verbo dizia o geógrafo
as ameixoeiras floridas
faço a galgeira funda
que encherei de folha
e ramos secos, depois terra
solta, terra limpa: eis a morada
das abóboras-menina.
ao pôr as sementes
lembro orlando ribeiro
por causa de uma palavra
de dissentir
o verbo dizia o geógrafo
da divergência entre académicos
faço a galgeira funda
que encherei de folha
e ramos secos, depois terra
solta, terra limpa: eis a morada
das abóboras-menina.
ao pôr as sementes
lembro orlando ribeiro
por causa de uma palavra
de dissentir
o verbo dizia o geógrafo
da divergência entre académicos
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abóbora-menina,
Orlando Ribeiro,
os dias da terra
sábado, 28 de fevereiro de 2015
O Bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Manuel Bandeira
domingo, 22 de fevereiro de 2015
O crocodilo no meio do corredor
*
cerejas e chuva
no maio maduro,
josé, da alegria das aves.
os homens voam cabisbaixos.
o crocodilo no meio do corredor
nos degraus de laura
exibe as condecorações antigas
como chegou ele aqui
assim pesado, sem dissímulo?
mostra os dentes
mostra o gasto cavalo-marinho
impõe silêncio
na nação sob escuta.
vivemos a guerra, josé.
o velho crocodilo
avança: ele ou o caos.
para quê dois braços: ele come
um braço.
desperdício ter duas pernas: ele devora-nos
as pernas.
para quê esses e outros luxos,
diz o crocodilo.
cerejas e chuva
no maio maduro,
josé, da alegria das aves.
os homens voam cabisbaixos.
o crocodilo no meio do corredor
nos degraus de laura
exibe as condecorações antigas
como chegou ele aqui
assim pesado, sem dissímulo?
mostra os dentes
mostra o gasto cavalo-marinho
impõe silêncio
na nação sob escuta.
vivemos a guerra, josé.
o velho crocodilo
avança: ele ou o caos.
para quê dois braços: ele come
um braço.
desperdício ter duas pernas: ele devora-nos
as pernas.
para quê esses e outros luxos,
diz o crocodilo.
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Grécia,
josé afonso,
o renascer da Europa
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
O poema está cheio de sol
*
o poema está cheio de sol
entra pelas janelas abertas
do sangue frio das serpes
uma tangerina desliza
e marca a folha
já devem saber
a primavera é uma enxurrada
de verdura pelos campos
porto, 1983
o poema está cheio de sol
entra pelas janelas abertas
do sangue frio das serpes
uma tangerina desliza
e marca a folha
já devem saber
a primavera é uma enxurrada
de verdura pelos campos
porto, 1983
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