*
a mãe desaprendeu a fala.
a mãe cativa, só o verde
dos olhos me aperta
e murmura como se eu fosse
ainda um rapazinho
desavindo com o sono.
digo, mãe
mãe, vou cortar lenha verde
zangarinho e alecrim
na mata das dornadinhas
faremos uma fogueira pelo s. joão.
O Primeiro Dia
pequena antologia da mãe na poesia portuguesa
escolhida por José da Cruz Santos
ed. Modo de Ler
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quarta-feira, 20 de novembro de 2013
sábado, 1 de maio de 2010
Lenha verde
a mãe desaprendeu a fala.
a mãe cativa. só o verde
dos olhos me aperta
e murmura como se eu fosse ainda o rapazinho
desavindo com o sono.
digo, mãe
mãe, vou cortar lenha verde
zangarinho e alecrim na mata das dornadinhas
faremos uma fogueira pelo s.joão.
a mãe cativa. só o verde
dos olhos me aperta
e murmura como se eu fosse ainda o rapazinho
desavindo com o sono.
digo, mãe
mãe, vou cortar lenha verde
zangarinho e alecrim na mata das dornadinhas
faremos uma fogueira pelo s.joão.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Água doce
agora o agosto, frágil libelinha
amores de água doce
como as palavras cabisbaixas entrando no milheiral
o esquecimento do voo dos pombos bravos
outrora o agosto: um cacho de uvas roubado
a mãe no silêncio lavado da cozinha
repouso breve no declínio da tarde. a mãe
só a mãe nos aguardava com a tisana
de ternura fresca
amores de água doce
como as palavras cabisbaixas entrando no milheiral
o esquecimento do voo dos pombos bravos
outrora o agosto: um cacho de uvas roubado
a mãe no silêncio lavado da cozinha
repouso breve no declínio da tarde. a mãe
só a mãe nos aguardava com a tisana
de ternura fresca
Etiquetas:
agora o verão,
Agosto,
mãe
segunda-feira, 6 de julho de 2009
O rumor na pele
agora o verão. emigram rostos
algumas memórias adormecidas
felino sossego na sombra
da magnólia. o rumor marinho lateja
na pele. nenhuma palavra
nenhuma palavra talvez
se emaranha no sargaço
nenhuma palavra procuro.
agora o verão, suave
escrita:todo o silêncio
da mãe no olhar sereníssimo
que grita que perdoa
ama e nos abraça e nos leva
e nos leva pelo longe.
algumas memórias adormecidas
felino sossego na sombra
da magnólia. o rumor marinho lateja
na pele. nenhuma palavra
nenhuma palavra talvez
se emaranha no sargaço
nenhuma palavra procuro.
agora o verão, suave
escrita:todo o silêncio
da mãe no olhar sereníssimo
que grita que perdoa
ama e nos abraça e nos leva
e nos leva pelo longe.
sábado, 31 de maio de 2008
Lenha verde
*
o fogo da buganvília pela parede acima
labareda muda no desfecho de maio.
hei-de voltar para o ano. prometo. sem memória
da melancolia. a mãe desaprendeu a fala
a mãe cativa, só o verde dos olhos me aperta
e murmura como se eu fosse ainda o menino
desavindo com o sonho.
digo,
mãe: vou cortar lenha verde de pinho e alecrim
na mata das dornadinhas
faremos uma fogueira pelo s. joão
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