tenho tantos amigos no facebook
estou tão sozinho.
sábado, 25 de maio de 2013
domingo, 19 de maio de 2013
Os frutos de maio
Por não saber alcançar os ramos mais altos abraçado ao tronco, como faziam os meus amigos de infância, destros e corajosos, trouxe as árvores a pastar na escrita. Desamarradas da terra, as árvores voam. Chegam depois as aves, a cabra, os meus gatos e outros bichos. De repente, deparo: o tempo, as marcas do tempo: abro o portão de uma remota brévia, procuro repouso, água fresca, palavras como perdigueiros cheios de melancolia. Uma sebe de muitos anos separa o poema distante do mais recente. Pouco importa. Nasci, para que conste, numa aldeia cingida por serranias. Um dos montes tem este nome: Marouço. Os fabulosos pastores de tempos antigos, quando o mundo era movido a tracção animal, diziam ouvir do cume dessa serra, a muitas léguas de lonjura, os murmúrios do mar.
A Fome Apátrida das Aves, pref. Manuel Gusmão, ed. Modo de Ler, maio 2013
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Modo de Ler
sábado, 18 de maio de 2013
Verossímil
Antigamente, em maio, eu virava anjo.
A mãe me punha o vestido, as asas,
me encalcava a coroa na cabeça e encomendava:
"Canta alto, espevita as palavras bem."
Eu levantava vôo rua acima.
Adélia Prado
Bagagem, Ed. Guanabara
A mãe me punha o vestido, as asas,
me encalcava a coroa na cabeça e encomendava:
"Canta alto, espevita as palavras bem."
Eu levantava vôo rua acima.
Adélia Prado
Bagagem, Ed. Guanabara
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os que vêm de maio
segunda-feira, 22 de abril de 2013
EXPLICAÇÃO DE POESIA SEM NINGUÉM PEDIR
Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,
atravessou minha vida,
virou sentimento.
Adélia Prado
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os dias imperfeitos
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Poemas imperfeitos
Janela
certas noites por aí
convido a lua
tomamos chá de cidreira
trocamos versos antigos.
Lobo
o solidário: conta
histórias felizes
aos cordeirinhos.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Oración Derradeira
Señor:
Non che pido que camiñes
sobre as augas.
Véñome sentar á túa beira.
As miñas armas
aí están sobor da area.
Deixar que o mar
as vele...
Estou canso!
Pidoche
que as douradas portas
da lonxanías, as peches.
De alí viñan os meus versos.
Ise páxaro brilhante
fatigou a miña frente.
Que sólo unha sombra
seña sobre o mar
Estou canso!
Que os lirios
do sono
caian riba das miñas pálpebras.
Non me fagas ningunha pregunta:
faríasme
volver a empezar.
Coma cando o viático
por unha rúa pasa,
eu quero ise silencio agora,
ise solitario silencio
que se levaron do Sagrario
e que uns instantes
queda pechado e baleiro.
O mar está quedo,
e na area
as miñas modestas armas
vanse sumindo.
Non quero soñar
coas miñas lonxanías misteriosas.
Alonxa ise páxaro brillante.
Que frescura sinte a miña frente
apoiado no teu manto!
Señor, Señor
pecha o meu libro pra sempre!
Luis Pimentel
Sombra do Aire na Herba
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Luis Pimentel,
poesia galega
terça-feira, 26 de março de 2013
A barca dos dias
um dia cheio de chuva
sobe lentamente a barca
na sereníssima água do tempo
talvez a juventude seja sonho incompleto
a bicicleta e o ramo dos lírios
as paixões escondidas no bolso
tão longe, tudo fica tão longe
para onde me leva a barca, eu sei.
vinte e seis de março de dois mil e treze
sobe lentamente a barca
na sereníssima água do tempo
talvez a juventude seja sonho incompleto
a bicicleta e o ramo dos lírios
as paixões escondidas no bolso
tão longe, tudo fica tão longe
para onde me leva a barca, eu sei.
vinte e seis de março de dois mil e treze
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