quarta-feira, 17 de abril de 2013
Poemas imperfeitos
Janela
certas noites por aí
convido a lua
tomamos chá de cidreira
trocamos versos antigos.
Lobo
o solidário: conta
histórias felizes
aos cordeirinhos.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Oración Derradeira
Señor:
Non che pido que camiñes
sobre as augas.
Véñome sentar á túa beira.
As miñas armas
aí están sobor da area.
Deixar que o mar
as vele...
Estou canso!
Pidoche
que as douradas portas
da lonxanías, as peches.
De alí viñan os meus versos.
Ise páxaro brilhante
fatigou a miña frente.
Que sólo unha sombra
seña sobre o mar
Estou canso!
Que os lirios
do sono
caian riba das miñas pálpebras.
Non me fagas ningunha pregunta:
faríasme
volver a empezar.
Coma cando o viático
por unha rúa pasa,
eu quero ise silencio agora,
ise solitario silencio
que se levaron do Sagrario
e que uns instantes
queda pechado e baleiro.
O mar está quedo,
e na area
as miñas modestas armas
vanse sumindo.
Non quero soñar
coas miñas lonxanías misteriosas.
Alonxa ise páxaro brillante.
Que frescura sinte a miña frente
apoiado no teu manto!
Señor, Señor
pecha o meu libro pra sempre!
Luis Pimentel
Sombra do Aire na Herba
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Dias imperfeitos,
Luis Pimentel,
poesia galega
terça-feira, 26 de março de 2013
A barca dos dias
um dia cheio de chuva
sobe lentamente a barca
na sereníssima água do tempo
talvez a juventude seja sonho incompleto
a bicicleta e o ramo dos lírios
as paixões escondidas no bolso
tão longe, tudo fica tão longe
para onde me leva a barca, eu sei.
vinte e seis de março de dois mil e treze
sobe lentamente a barca
na sereníssima água do tempo
talvez a juventude seja sonho incompleto
a bicicleta e o ramo dos lírios
as paixões escondidas no bolso
tão longe, tudo fica tão longe
para onde me leva a barca, eu sei.
vinte e seis de março de dois mil e treze
sexta-feira, 22 de março de 2013
SEGUNDA PESSOA
Alguém diz tu. Alguém sem nome.
É a terra e o corpo e é o rasto de um sentido.
Alguém diz tu à imagem que se esgarça,
à certeza de uma longínqua razão.
Longe. O passado. Nomes, errados nomes de desejo.
Cego de insónia, nem lembrar te posso.
Nem mesmo em sonho saberia ver-te.
És só o pronome, tu, a ondular-me na boca,
norte magnético num desespero em surdina.
És a sílaba que dói a dor solar de um sentido.
A história avança na cabra-cega sem rostos,
e eu vivo em ti o tu mais só da minha vida.
Óscar Lopes
O leitor emocionado partiu hoje. Nas noites de insónia escrevia poemas, mas só o que aqui transcrevo, 'Segunda pessoa', foi publicado, há mais de três décadas, na "Ilha dos Amores", edição da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Linguista, historiador da literatura, ensaísta, leitor, leitor apaixonado, Óscar Lopes deu a vida toda à "pobre gente, toda gente": a avó chorou de desgosto quando soube que ele era comunista. "E eu", contou um dia, "chorei, porque ela chorou".
É a terra e o corpo e é o rasto de um sentido.
Alguém diz tu à imagem que se esgarça,
à certeza de uma longínqua razão.
Longe. O passado. Nomes, errados nomes de desejo.
Cego de insónia, nem lembrar te posso.
Nem mesmo em sonho saberia ver-te.
És só o pronome, tu, a ondular-me na boca,
norte magnético num desespero em surdina.
És a sílaba que dói a dor solar de um sentido.
A história avança na cabra-cega sem rostos,
e eu vivo em ti o tu mais só da minha vida.
Óscar Lopes
O leitor emocionado partiu hoje. Nas noites de insónia escrevia poemas, mas só o que aqui transcrevo, 'Segunda pessoa', foi publicado, há mais de três décadas, na "Ilha dos Amores", edição da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Linguista, historiador da literatura, ensaísta, leitor, leitor apaixonado, Óscar Lopes deu a vida toda à "pobre gente, toda gente": a avó chorou de desgosto quando soube que ele era comunista. "E eu", contou um dia, "chorei, porque ela chorou".
sábado, 2 de março de 2013
Utopia realizável
é na rua que tudo começa.
hoje foi lindo: hoje voltei
a ter orgulho de ser português.
hoje vi gente com uma cábula
a cantar a grândola
gente jovem a descobrir abril
na rua tudo começa
na rua a palavra se faz substância de utopia realizável.
hoje foi lindo: hoje voltei
a ter orgulho de ser português.
hoje vi gente com uma cábula
a cantar a grândola
gente jovem a descobrir abril
na rua tudo começa
na rua a palavra se faz substância de utopia realizável.
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dois de março,
grândola,
Porto
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Para pedir paciência nas adversidades
Nada te inquiete,
nada te assuste;
pois tudo passa,
Deus nunca muda.
A paciência
alcança tudo.
Quem Deus possui
nada lhe falta.
Só Deus nos basta
Teresa de Ávila
in Seta de Fogo
nada te assuste;
pois tudo passa,
Deus nunca muda.
A paciência
alcança tudo.
Quem Deus possui
nada lhe falta.
Só Deus nos basta
Teresa de Ávila
in Seta de Fogo
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o regresso,
Santa Teresa de Ávila
sábado, 29 de dezembro de 2012
quando um pássaro vier
descerás ao anoitecer
talvez sob um ramo de lua
ou a serpente alada
do silêncio
observarás o fogo e as sombras
a brancura do medo
escurecendo
os primeiros olhos além da arena
a imobilidade o espectro a vertigem
tocarás a terra num volejo
entre metal e harpa
a terra
a terra tocarás
e quando um pássaro vier
cingir o sangue a rosa
ao tempo chamarás memória
em redor cristais apenas ervas
caligrafias de água
José Manuel Mendes
Cinzas de Véspera, ed. poucapena
talvez sob um ramo de lua
ou a serpente alada
do silêncio
observarás o fogo e as sombras
a brancura do medo
escurecendo
os primeiros olhos além da arena
a imobilidade o espectro a vertigem
tocarás a terra num volejo
entre metal e harpa
a terra
a terra tocarás
e quando um pássaro vier
cingir o sangue a rosa
ao tempo chamarás memória
em redor cristais apenas ervas
caligrafias de água
José Manuel Mendes
Cinzas de Véspera, ed. poucapena
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a poesia continua,
José Manuel Mendes
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