Da árvore vergada
chamei
pelo nome o peixe irado.
Tracei à volta da lua branca
uma figura, alada.
Veio-me o sonho caçador
que sonha cobrir a presa.
Castelos de nuvens sobre o rio,
é a minha voz,
luz de neve sobre as florestas,
é o meu cabelo.
Pelo céu sombrio
cheguei,
erva na boca, a minha sombra,
encostada à cerca de madeira, disse:
Leva-me de volta.
Johannes Bobrowski
Trad. João Barrento
Como um Respirar, ed. Cotovia, 1990
quinta-feira, 12 de julho de 2012
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Pavese outra vez
Em qualquer ofício ou profissão é possível viver segundo
o cliché desse ofício ou profissão, isto é, fingindo.
Mas o escritor ou artista não. Seríamos bohémiens,
cretinos insuportáveis. Porquê? Porque a arte e o
escrever não são ofícios, pelo menos na nossa época.
Cesare Pavese
in Ofício de Viver, Diário (1935-1950)
Portugália Editora 1968
o cliché desse ofício ou profissão, isto é, fingindo.
Mas o escritor ou artista não. Seríamos bohémiens,
cretinos insuportáveis. Porquê? Porque a arte e o
escrever não são ofícios, pelo menos na nossa época.
Cesare Pavese
in Ofício de Viver, Diário (1935-1950)
Portugália Editora 1968
quarta-feira, 27 de junho de 2012
4. POVO
Pequeno povo, luta sem espadas e sem balas
pelo pão, pela luz e pela canção de todo o mundo.
Guarda sob a língua os gemidos e os vivas
e quando se decide a cantá-los, até as pedras rebentam.
Giánnis Ritsos
Dezoito Dísticos para a Pátria Amargurada (1973)
In Antologia, trad. Custódio Magueijo
Ed. Fora do Texto, Coimbra 1993
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quinta-feira, 31 de maio de 2012
AGUA DORMIDA
Quiero saltar al agua para caer al cielo.
Pablo Neruda
Crepusculario
Editorial Losada, Buenos Aires, 1961
Pablo Neruda
Crepusculario
Editorial Losada, Buenos Aires, 1961
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quinta-feira, 10 de maio de 2012
Cimeira ibérica
os grandes plátanos
sereníssimos
na alfândega do porto
rodeados de autoridade
tantos polícias
e as árvores não voam
nem escondem armas brancas
no meio da sua verdura
sereníssimos
na alfândega do porto
rodeados de autoridade
tantos polícias
e as árvores não voam
nem escondem armas brancas
no meio da sua verdura
quarta-feira, 25 de abril de 2012
A barca da alegria
o que há de vir
será a coisa mais linda
prepara a barca da alegria
vais precisar dela.
será a coisa mais linda
prepara a barca da alegria
vais precisar dela.
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Miguel Portas
terça-feira, 17 de abril de 2012
A PALAVRA É UMA BELA CEREJEIRA
povoa-se a palavra
de pequenina flor branca.
a palavra é uma bela cerejeira
se a escrevo no mês de abril.
vêm as chuvas
esborratam a brancura
se transmuta em cereja
a palavra que fica rubra
quando maio a mão a escreve.
de pequenina flor branca.
a palavra é uma bela cerejeira
se a escrevo no mês de abril.
vêm as chuvas
esborratam a brancura
se transmuta em cereja
a palavra que fica rubra
quando maio a mão a escreve.
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