a palavra. que estranha veação é a
minha. a palavra. porfio-a na folha das
árvores, remota insânia dos livros
sagrados. acto venatório sem
perdigueiro que adestre o silêncio,
vedado ao ímpeto cruel dos furões.
inerme, procuro a palavra
no rumor da brévia
sábado, 27 de agosto de 2011
domingo, 31 de julho de 2011
O vento nos ramos
agora o verão, leva as palavras
para a fronde – e não digas nada.
deixa o silêncio ganhar raiz e ser árvore
rumor e vento nos ramos.
o bosque que te sobressalta revisitado,
esquece as palavras: o pousio vivifica-as
ganham musgos, outros sentidos
seiva talvez e serão animais silvestres,
sem dono, instigados pelo cio. agora o verão,
tu sabes, deixa o silêncio a lavrar no húmus.
para a fronde – e não digas nada.
deixa o silêncio ganhar raiz e ser árvore
rumor e vento nos ramos.
o bosque que te sobressalta revisitado,
esquece as palavras: o pousio vivifica-as
ganham musgos, outros sentidos
seiva talvez e serão animais silvestres,
sem dono, instigados pelo cio. agora o verão,
tu sabes, deixa o silêncio a lavrar no húmus.
terça-feira, 28 de junho de 2011
Caminhos remotos
No corpo te procuro. é um rio, manhã de Maio onde repouso o gesto precário dos amantes. dessedento os lábios nos lábios. alongo palavras na geografia da tua pele, e escrevo lírio, cereja e outros vocábulos de ternura, silêncio e fruto. a voz do inexplicável corre sob os dedos, cavalos descendo por remotos caminhos à fronde mais escura. gesto precário dos amantes, alongo palavras indizíveis, lírio ou cereja, nesta viagem infinda porque sempre recomeça. e se digo que te amo o corpo ondula, de monte a monte se faz o caudal do rio.
domingo, 12 de junho de 2011
Ervas de cheiro
Se te procuro na cidade
com ervas do campo na mão
é que por vezes a felicidade
sai à rua na noite de S. João
in O LIVRO DO S. JOÃO
100 quadras de 100 autores
ed. AJHLP
com ervas do campo na mão
é que por vezes a felicidade
sai à rua na noite de S. João
in O LIVRO DO S. JOÃO
100 quadras de 100 autores
ed. AJHLP
sábado, 28 de maio de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
O mesmo cravo
outra manhã limpa
cravo, o mesmo cravo
rubra alegria
o povo
e o povo que ainda se sente povo
jamais permute utopia
pela liberdade mínima.
outra manhã limpa
se demanda mais cedo
do que mais tarde
enquanto a chama arde.
das palavras antigas
caídas na rua
limpo os musgos
afago-as de rebeldia
cravo, o mesmo cravo.
árvore, vinte e cinco de abril de dois mil e onze
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