sábado, 28 de maio de 2011

Voo

maio aproxima-se do fim
voam as últimas cerejas
no silencioso voo das aves

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O mesmo cravo






















outra manhã limpa
cravo, o mesmo cravo
rubra alegria
o povo
e o povo que ainda se sente povo
jamais permute utopia
pela liberdade mínima.
outra manhã limpa
se demanda mais cedo
do que mais tarde
enquanto a chama arde.
das palavras antigas
caídas na rua
limpo os musgos
afago-as de rebeldia
cravo, o mesmo cravo.


árvore, vinte e cinco de abril de dois mil e onze

sábado, 9 de abril de 2011

PEDRA DISTRAÍDA

uma árvore cheia de sono
uma casa a dormir
a pedra distraída
um pássaro a florir

e ladra a noite ferida
põe o cães a fugir

sexta-feira, 1 de abril de 2011

FOGO DOCE DOS LÁBIOS A LAVRAR NO LINHO

eu sou o outro

trago palavras das lonjuras

sabem a frutos silvestres

algumas perderam o sentido

ficaram cegas

como casas abandonadas

eu sou o outro

o que procura o burel antigo

gestos perdidos

na ténue luz da tarde

o fogo doce dos lábios a lavrar no linho

eu sou o outro

o que sempre perde

e volta ao princípio.

terça-feira, 29 de março de 2011

Crepúsculo

Melro
palavra primaveril
o bico
incendeia o crepúsculo.

segunda-feira, 28 de março de 2011

GESTO ARCAICO DE NAVEGAR NOS CAMPOS

Os peixes do rio
vivos e hortelã
no cesto de vime
águas frias dobrando
açudes
o gesto arcaico
de navegar nos campos
folha de sabugueiro
em secreto bolso contra mau-olhado

os peixes do rio ainda vivos
hortelã as violetas na margem
aromatizada forma de morte

A PALAVRA É UMA BELA CEREJEIRA

povoa-se a palavra
de pequenina flor branca.
a palavra é uma bela cerejeira
se a escrevo no mês de abril.

vêm as chuvas
esborratam a brancura
se transmuta em cereja
a palavra que fica rubra
quando maio a mão escreve.