eu sou o outro
trago palavras das lonjuras
sabem a frutos silvestres
algumas perderam o sentido
ficaram cegas
como casas abandonadas
eu sou o outro
o que procura o burel antigo
gestos perdidos
na ténue luz da tarde
o fogo doce dos lábios a lavrar no linho
eu sou o outro
o que sempre perde
e volta ao princípio.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
terça-feira, 29 de março de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
GESTO ARCAICO DE NAVEGAR NOS CAMPOS
Os peixes do rio
vivos e hortelã
no cesto de vime
águas frias dobrando
açudes
o gesto arcaico
de navegar nos campos
folha de sabugueiro
em secreto bolso contra mau-olhado
os peixes do rio ainda vivos
hortelã as violetas na margem
aromatizada forma de morte
vivos e hortelã
no cesto de vime
águas frias dobrando
açudes
o gesto arcaico
de navegar nos campos
folha de sabugueiro
em secreto bolso contra mau-olhado
os peixes do rio ainda vivos
hortelã as violetas na margem
aromatizada forma de morte
Etiquetas:
palavras primaveris,
trutas
A PALAVRA É UMA BELA CEREJEIRA
povoa-se a palavra
de pequenina flor branca.
a palavra é uma bela cerejeira
se a escrevo no mês de abril.
vêm as chuvas
esborratam a brancura
se transmuta em cereja
a palavra que fica rubra
quando maio a mão escreve.
de pequenina flor branca.
a palavra é uma bela cerejeira
se a escrevo no mês de abril.
vêm as chuvas
esborratam a brancura
se transmuta em cereja
a palavra que fica rubra
quando maio a mão escreve.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
[silêncio imune]
Também eu, também,
sonâmbulo de versos
gritei em vão
para arrancar as rosas
das pedras do mundo.
Agora é a tua vez
de gelo e lume
Grita, despedaça
com lâminas na boca
esta nossa mordaça
de silêncio imune.
José Gomes Ferreira
sonâmbulo de versos
gritei em vão
para arrancar as rosas
das pedras do mundo.
Agora é a tua vez
de gelo e lume
Grita, despedaça
com lâminas na boca
esta nossa mordaça
de silêncio imune.
José Gomes Ferreira
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
amigos do poeta
Um importante editor português disse, há dias, que a poesia está condenada a edições residuais, de autor, porque o “mercado” esgota-se na meia dúzia de amigos do poeta. O fim da utopia decretado pela mais-valia. “Não tenho tempo para ser eterno” - terá lido o empresário, num dos últimos livros de poesia publicados neste país.
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