terça-feira, 29 de março de 2011

Crepúsculo

Melro
palavra primaveril
o bico
incendeia o crepúsculo.

segunda-feira, 28 de março de 2011

GESTO ARCAICO DE NAVEGAR NOS CAMPOS

Os peixes do rio
vivos e hortelã
no cesto de vime
águas frias dobrando
açudes
o gesto arcaico
de navegar nos campos
folha de sabugueiro
em secreto bolso contra mau-olhado

os peixes do rio ainda vivos
hortelã as violetas na margem
aromatizada forma de morte

A PALAVRA É UMA BELA CEREJEIRA

povoa-se a palavra
de pequenina flor branca.
a palavra é uma bela cerejeira
se a escrevo no mês de abril.

vêm as chuvas
esborratam a brancura
se transmuta em cereja
a palavra que fica rubra
quando maio a mão escreve.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

[silêncio imune]

Também eu, também,
sonâmbulo de versos
gritei em vão
para arrancar as rosas
das pedras do mundo.

Agora é a tua vez
de gelo e lume

Grita, despedaça
com lâminas na boca
esta nossa mordaça
de silêncio imune.

José Gomes Ferreira

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Porto

O céu imensamente
cinzento: virá a tempestade
diluir o florido silêncio
das magnólias?

sábado, 5 de fevereiro de 2011

amigos do poeta

Um importante editor português disse, há dias, que a poesia está condenada a edições residuais, de autor, porque o “mercado” esgota-se na meia dúzia de amigos do poeta. O fim da utopia decretado pela mais-valia. “Não tenho tempo para ser eterno” - terá lido o empresário, num dos últimos livros de poesia publicados neste país.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Noite fria

Noite fria, muito fria. Cavaco por mais
cinco anos.O verso
de Herberto: “Puta de vida subdesenvolvida”.