bebamos a mágoa branca
do inverno
entretanto a magnólia
mostra seus esporões
falsa árvore
de rapina
em breve vai florir
o sono dos pássaros.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
domingo, 19 de dezembro de 2010
Conflitos entre herdeiros universais
O meu Marx há-de arrancar
as barbas ao teu Marx
O meu Engels há-de partir
os dentes ao teu Engels
O meu Lenine há-de esmigalhar
os ossos ao teu Lenine
O nosso Estaline há-de meter
uma bala na nuca do vosso Estaline
O nosso Trotzki há-de rachar
a cabeça ao vosso Trotzki
O nosso Mao há-de afogar
o vosso Mao no Yang tse
para que deixe de obstruir
o caminho da vitória
Erich Fried
100 Poemas sem Pátria
as barbas ao teu Marx
O meu Engels há-de partir
os dentes ao teu Engels
O meu Lenine há-de esmigalhar
os ossos ao teu Lenine
O nosso Estaline há-de meter
uma bala na nuca do vosso Estaline
O nosso Trotzki há-de rachar
a cabeça ao vosso Trotzki
O nosso Mao há-de afogar
o vosso Mao no Yang tse
para que deixe de obstruir
o caminho da vitória
Erich Fried
100 Poemas sem Pátria
sábado, 27 de novembro de 2010
Gralhas, caça furtiva
Um bando de gralhas
sobre a escrita
cínicas como gavião
que lá das alturas
cativa indefeso perdigoto.
que procuram as gralhas:
alma redimida de palavra ferida
ou agasalho nos ramos frios do inverno?
Digo ao meu filho,
traz a caçadeira e os cartuchos de pólvora nobel
chumbo 8,
porque esta espécie de gralha maior não é
do que palavra tordo de papo ruivo.
retomo o antigo rito da caça
pela primeira luz da alva
camuflado na brancura do papel
a velha espingardada de canos paralelos
ao ombro
o cheiro da pólvora queimada entontece
já a caça foge da escrita
sobre a escrita
cínicas como gavião
que lá das alturas
cativa indefeso perdigoto.
que procuram as gralhas:
alma redimida de palavra ferida
ou agasalho nos ramos frios do inverno?
Digo ao meu filho,
traz a caçadeira e os cartuchos de pólvora nobel
chumbo 8,
porque esta espécie de gralha maior não é
do que palavra tordo de papo ruivo.
retomo o antigo rito da caça
pela primeira luz da alva
camuflado na brancura do papel
a velha espingardada de canos paralelos
ao ombro
o cheiro da pólvora queimada entontece
já a caça foge da escrita
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domingo, 21 de novembro de 2010

>Um pai natal à moda antiga, inventor de brinquedos de madeira, exausto de tantas viagens debaixo da neve, delega arte e o generoso ofício no filho. Parte de madrugada: no regresso, dias depois, só as renas e um capote. O filho, que adorava as árvores da floresta, repartia desde menino solidões, dúvidas e alegrias com um caracol. Inseparável amigo que transporta uma rara virtude: pensa, pensa devagar e bem. Certa manhã, o jovem leva as remas à clareira da floresta a beber a frescura do mundo, como sempre o seu pai fazia pelo mês de Maio. De repente, os animais suspendem o pasto, erguem a cabeça: no centro da clareira, aparece um capote forrado a pele de marta que agasalha uma menina de escassos dias de vida. A Menina é uma inesperada história de amizade, de reencontros, de subtis sentimentos que parecem não existir mais entre as pessoas. Uma história também de amor pelas árvores e por outros seres da floresta. A dado passo, uma dúvida sobressaltará o leitor: o que é feito da mãe do jovem pai natal?
ed. Caminho das Palavras
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o filho do pai natal
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
[romã]
Granada a clara, que seca roupa
ao luar, romã entreaberta
que sangra e chora
(pela boca da ferida) o seu poeta.
Jean Cocteau
ao luar, romã entreaberta
que sangra e chora
(pela boca da ferida) o seu poeta.
Jean Cocteau
sábado, 6 de novembro de 2010
Animal faminto
as palavras
o seu olhar silencioso
de animal faminto
sua leveza interior de árvore em repouso.
há palavras assim
e de algumas me fiz
amigo - sacio-lhes a fome.
a fome das palavras
é doce como um fruto.
o seu olhar silencioso
de animal faminto
sua leveza interior de árvore em repouso.
há palavras assim
e de algumas me fiz
amigo - sacio-lhes a fome.
a fome das palavras
é doce como um fruto.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
...ET VOILÀ
Un marin a quitté la mer
son bateau a quitté le port
et le roi a quitté la reine
un avare a quitté son or
… et voilà
Une veuve a quitté le deuil
une folle a quitté l'asile
et ton sourire a quitté mes lèvres
...et voilà
Tu me quitteras
tu me quitteras
tu me quiterras
tu me reviendras
tu m'épouseras
tu m'épouseras
Le couteau épouse la plaie
l'ar-en-ciel épouse la pluie
le sourise épouse les larmes
les caresses épousent les menaces
… et voilà
Et le feu épouse la glace
et la mort épouse la vie
comme la vie épouse l'amour
Tu m'epouseras
Tu m'epouseras
Tu me'epouseras.
Jacques Prévert
Un marin a quitté la mer
son bateau a quitté le port
et le roi a quitté la reine
un avare a quitté son or
… et voilà
Une veuve a quitté le deuil
une folle a quitté l'asile
et ton sourire a quitté mes lèvres
...et voilà
Tu me quitteras
tu me quitteras
tu me quiterras
tu me reviendras
tu m'épouseras
tu m'épouseras
Le couteau épouse la plaie
l'ar-en-ciel épouse la pluie
le sourise épouse les larmes
les caresses épousent les menaces
… et voilà
Et le feu épouse la glace
et la mort épouse la vie
comme la vie épouse l'amour
Tu m'epouseras
Tu m'epouseras
Tu me'epouseras.
Jacques Prévert
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