Vão maus os tempos d’agora
Para cousas de poesia;
Cresce a onda: a prosa fria
Tudo invade e nos devora.
Quando surge a luz da aurora
Ninguém ouve a cotovia,
E o trovador de algum dia
Canções d’amor já não chora.
A musa veste á burgueza,
Apolo frisa o topéte,
Fuma á porta da Havaneza;
A vindima não promette.
O Pindo causa tristeza...
Adeus, ma tendre musette!
JOÃO PENHA
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
domingo, 29 de agosto de 2010
As árvores
A preto e branco, as árvores perdem a memória. Vem o Outono e rouba-lhes o nome, o coração vegetal. Podes ver, a preto e branco, uma bicicleta, um rosto, um pássaro colorido – as árvores não. Carecem de luz, as árvores: essa claridade estreme que só os teus olhos distingue, essa luz que amadurece os frutos e burila as pedras.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
La luna
Hay tanta soledad em ese oro.
La luna de las noches no es la luna
que vio el primer Adán. Los largos siglos
de la vigilia humana han colmado
de antigo llanto. Mírala. Es tu espejo.
Jorge Luis Borges
La luna de las noches no es la luna
que vio el primer Adán. Los largos siglos
de la vigilia humana han colmado
de antigo llanto. Mírala. Es tu espejo.
Jorge Luis Borges
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Da Vielhice
Para aqueles que não possuem, eles próprios,
qualquer recurso para viver bem e com felicidade, para esses toda a idade é penosa. Para aqueles que reclamam para si todos os bens, para esses nenhuma coisa, que a necessidade natural possa trazer, pode ser vista como um mal. Neste género está, em primeiro lugar, a velhice, que todos buscam alcançar e, quando a alcançam, deploram-na.
M. Túlio Cícero
qualquer recurso para viver bem e com felicidade, para esses toda a idade é penosa. Para aqueles que reclamam para si todos os bens, para esses nenhuma coisa, que a necessidade natural possa trazer, pode ser vista como um mal. Neste género está, em primeiro lugar, a velhice, que todos buscam alcançar e, quando a alcançam, deploram-na.
M. Túlio Cícero
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
água de lima
a secura dos campos que foram verdes
verdes ao longo de gerações
o milho regado ao pé
pela levada da aldeia
o murmúrio da água de lima
a correr pelos pastos.
do minho dessa imagem do minho
que te persegue como um
vício absurdo quase nada resta.
Falam-te de chegas de bois
nos campos da lama
na festa de s. brás
e tu vês a mina dos escuros
onde a mãe lavava a roupa
morta também de secura: o maior ultraje.
verdes ao longo de gerações
o milho regado ao pé
pela levada da aldeia
o murmúrio da água de lima
a correr pelos pastos.
do minho dessa imagem do minho
que te persegue como um
vício absurdo quase nada resta.
Falam-te de chegas de bois
nos campos da lama
na festa de s. brás
e tu vês a mina dos escuros
onde a mãe lavava a roupa
morta também de secura: o maior ultraje.
Etiquetas:
minho,
secura,
vício absurdo
sábado, 31 de julho de 2010
Cacela
na noite cálida
o silêncio dos gatos
de cacela
protegido pelo rumor
da buganvília.
nada os perturba
nem o frenesim das cigarras
nem a delicadeza dos turistas.
o silêncio dos gatos
de cacela
protegido pelo rumor
da buganvília.
nada os perturba
nem o frenesim das cigarras
nem a delicadeza dos turistas.
Etiquetas:
cacela velha,
gatos,
tavira
domingo, 18 de julho de 2010
Patos bravos
agora o verão
nenhuma palavra caída
no lugar de lapela
nunhum lugar remoto
que desperte a memória
os patos bravos
na fímbria da noite
voam para o sul.
nenhuma palavra caída
no lugar de lapela
nunhum lugar remoto
que desperte a memória
os patos bravos
na fímbria da noite
voam para o sul.
Subscrever:
Mensagens (Atom)