domingo, 29 de agosto de 2010
As árvores
A preto e branco, as árvores perdem a memória. Vem o Outono e rouba-lhes o nome, o coração vegetal. Podes ver, a preto e branco, uma bicicleta, um rosto, um pássaro colorido – as árvores não. Carecem de luz, as árvores: essa claridade estreme que só os teus olhos distingue, essa luz que amadurece os frutos e burila as pedras.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
La luna
Hay tanta soledad em ese oro.
La luna de las noches no es la luna
que vio el primer Adán. Los largos siglos
de la vigilia humana han colmado
de antigo llanto. Mírala. Es tu espejo.
Jorge Luis Borges
La luna de las noches no es la luna
que vio el primer Adán. Los largos siglos
de la vigilia humana han colmado
de antigo llanto. Mírala. Es tu espejo.
Jorge Luis Borges
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Da Vielhice
Para aqueles que não possuem, eles próprios,
qualquer recurso para viver bem e com felicidade, para esses toda a idade é penosa. Para aqueles que reclamam para si todos os bens, para esses nenhuma coisa, que a necessidade natural possa trazer, pode ser vista como um mal. Neste género está, em primeiro lugar, a velhice, que todos buscam alcançar e, quando a alcançam, deploram-na.
M. Túlio Cícero
qualquer recurso para viver bem e com felicidade, para esses toda a idade é penosa. Para aqueles que reclamam para si todos os bens, para esses nenhuma coisa, que a necessidade natural possa trazer, pode ser vista como um mal. Neste género está, em primeiro lugar, a velhice, que todos buscam alcançar e, quando a alcançam, deploram-na.
M. Túlio Cícero
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
água de lima
a secura dos campos que foram verdes
verdes ao longo de gerações
o milho regado ao pé
pela levada da aldeia
o murmúrio da água de lima
a correr pelos pastos.
do minho dessa imagem do minho
que te persegue como um
vício absurdo quase nada resta.
Falam-te de chegas de bois
nos campos da lama
na festa de s. brás
e tu vês a mina dos escuros
onde a mãe lavava a roupa
morta também de secura: o maior ultraje.
verdes ao longo de gerações
o milho regado ao pé
pela levada da aldeia
o murmúrio da água de lima
a correr pelos pastos.
do minho dessa imagem do minho
que te persegue como um
vício absurdo quase nada resta.
Falam-te de chegas de bois
nos campos da lama
na festa de s. brás
e tu vês a mina dos escuros
onde a mãe lavava a roupa
morta também de secura: o maior ultraje.
Etiquetas:
minho,
secura,
vício absurdo
sábado, 31 de julho de 2010
Cacela
na noite cálida
o silêncio dos gatos
de cacela
protegido pelo rumor
da buganvília.
nada os perturba
nem o frenesim das cigarras
nem a delicadeza dos turistas.
o silêncio dos gatos
de cacela
protegido pelo rumor
da buganvília.
nada os perturba
nem o frenesim das cigarras
nem a delicadeza dos turistas.
Etiquetas:
cacela velha,
gatos,
tavira
domingo, 18 de julho de 2010
Patos bravos
agora o verão
nenhuma palavra caída
no lugar de lapela
nunhum lugar remoto
que desperte a memória
os patos bravos
na fímbria da noite
voam para o sul.
nenhuma palavra caída
no lugar de lapela
nunhum lugar remoto
que desperte a memória
os patos bravos
na fímbria da noite
voam para o sul.
A cidade
A cidade é um chão de palavras pisadas
a palavra criança a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância e a palavra medo.
A cidade é um saco um pulmão que respira
pela palavra água pela palavra brisa
A cidade é um poro um corpo que transpira
pela palavra sangue pela palavra ira.
A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.
A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.
José Carlos Ary dos Santos
a palavra criança a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância e a palavra medo.
A cidade é um saco um pulmão que respira
pela palavra água pela palavra brisa
A cidade é um poro um corpo que transpira
pela palavra sangue pela palavra ira.
A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.
A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.
José Carlos Ary dos Santos
Subscrever:
Mensagens (Atom)