uma rima para esta melancolia
de ser maio e não poder calcorrear
o dia. o regresso a casa despojado dos peixes do rio
trutas, bogas cor de ouro, um barbo talvez
iludido na corrente. o maio pintalgado de melros
e corvos, esses eternos corvos que abjuraram as rotas antigas.
uma rima para tudo isto, tu sabe, não é fácil
porque os grilos cantam no silêncio dos teus olhos
alegria das dedaleiras na borda da caminho trava-me o passo.
no silêncio dos teus olhos parece verso
batido. parece, e talvez não seja: só ouve os grilos
quem sabe domar o silêncio.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
sábado, 15 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
O velho poço
uma rima colorida
para as ervilhas de cheiro
do meu quintal cheio de maio
e do seu fogo imaterial
não será rima infantil
enfim, não faz mal
é maio e não falarei
das cerejas nem das rãs
que morrem de amor
entre ao agriões do velho poço
uma rima
apenas uma rima colorida
para o fogo sensual
para as ervilhas de cheiro
do meu quintal cheio de maio
e do seu fogo imaterial
não será rima infantil
enfim, não faz mal
é maio e não falarei
das cerejas nem das rãs
que morrem de amor
entre ao agriões do velho poço
uma rima
apenas uma rima colorida
para o fogo sensual
sábado, 1 de maio de 2010
Lenha verde
a mãe desaprendeu a fala.
a mãe cativa. só o verde
dos olhos me aperta
e murmura como se eu fosse ainda o rapazinho
desavindo com o sono.
digo, mãe
mãe, vou cortar lenha verde
zangarinho e alecrim na mata das dornadinhas
faremos uma fogueira pelo s.joão.
a mãe cativa. só o verde
dos olhos me aperta
e murmura como se eu fosse ainda o rapazinho
desavindo com o sono.
digo, mãe
mãe, vou cortar lenha verde
zangarinho e alecrim na mata das dornadinhas
faremos uma fogueira pelo s.joão.
Giestas
trazem ramos de giestas.descem os
montes assim floridos: o primeiro dia
as giestas alumiam a casa
rito de espantar fome e penúria, diriam os velhos.
os que vêm de maio comem as derradeiras
laranjas cativos na cega paixão
das cerejas. às vezes sentam-se e contam
palavras que apartam
devagar dos bolsos. às vezes adormecem
e emigram no rumor da tarde.
montes assim floridos: o primeiro dia
as giestas alumiam a casa
rito de espantar fome e penúria, diriam os velhos.
os que vêm de maio comem as derradeiras
laranjas cativos na cega paixão
das cerejas. às vezes sentam-se e contam
palavras que apartam
devagar dos bolsos. às vezes adormecem
e emigram no rumor da tarde.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
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