terça-feira, 14 de abril de 2009
Arte de partejar
leio de passagem caniçó, codeçoso. topónimos esquecidos no fundo da infância: lembram, de repente, histórias do volfrâmio, de rojos fugidos da Guerra Civil de Espanha. e a arte de partejar no campo, a febre purpúrea do terceiro dia, fatal, quase sempre fatal.
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sábado, 4 de abril de 2009
Pelos teus lábios
No Maio como as cerejas pelos teus lábios. Diz o homem do saco de cabedal à rapariga. E a rapariga abandona o largo. A correr, como se fugisse de rude tempestade. Pouco depois, regressam a rapariga, os irmãos e o pai. Caminham lestos, incitados pelo silêncio,
Foi ele!
voz de fogo, voz de fúria.
Pausa breve.
O cerco, e o homem cai por terra, sangue vivo esponta nos lábios. A rapariga, os irmãos (são três) e o pai assim legam o desconhecido. Partem, leves e libertos.
Muito lentamente, o homem se levanta. Sacode as roupas, sacode a dor por gestos mais suaves ainda. Do bolso direito das calças tira o lenço: devagar, o lenço bebe o sangue dos lábios. Do outro bolso sai um cigarro: fuma-o, sozinho, no largo desabitado. Debruça-se, recolhe o saco de cabedal: avança, movimento dolorido, em direcção do nada. Antes de sair do largo (ou da página?), volta-se para mim (silencioso cronista), avisa-me: O narrador protege a personagem, foste tu o instigador do desacato!
Silencioso sou, silencioso fico.
Parado. O homem persiste parado, enxuga ainda os lábios como se os corrigisse. Aguarda, eu sei, uma palavra minha. Por outras aventuras andámos e nunca ninguém lhe fugiu ao respeito. Merece uma explicação, e eu não a sei desencantar. Que terá dito a rapariga à família de ódios silenciosos? Que fogo ancestral espavoriu como animal silvestre? Dos lábios da personagem apenas saiu uma pobre metáfora – e achava-a, erro meu, erro meu, saborosa como fruta da época.
Foi ele!
voz de fogo, voz de fúria.
Pausa breve.
O cerco, e o homem cai por terra, sangue vivo esponta nos lábios. A rapariga, os irmãos (são três) e o pai assim legam o desconhecido. Partem, leves e libertos.
Muito lentamente, o homem se levanta. Sacode as roupas, sacode a dor por gestos mais suaves ainda. Do bolso direito das calças tira o lenço: devagar, o lenço bebe o sangue dos lábios. Do outro bolso sai um cigarro: fuma-o, sozinho, no largo desabitado. Debruça-se, recolhe o saco de cabedal: avança, movimento dolorido, em direcção do nada. Antes de sair do largo (ou da página?), volta-se para mim (silencioso cronista), avisa-me: O narrador protege a personagem, foste tu o instigador do desacato!
Silencioso sou, silencioso fico.
Parado. O homem persiste parado, enxuga ainda os lábios como se os corrigisse. Aguarda, eu sei, uma palavra minha. Por outras aventuras andámos e nunca ninguém lhe fugiu ao respeito. Merece uma explicação, e eu não a sei desencantar. Que terá dito a rapariga à família de ódios silenciosos? Que fogo ancestral espavoriu como animal silvestre? Dos lábios da personagem apenas saiu uma pobre metáfora – e achava-a, erro meu, erro meu, saborosa como fruta da época.
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O homem do saco de cabedal
Abril
os cachos da glicínia
dão os primeiros sinais
de despedida. amargo mês
é o abril, que já foi fogo da utopia.
dão os primeiros sinais
de despedida. amargo mês
é o abril, que já foi fogo da utopia.
quinta-feira, 26 de março de 2009
quinta-feira, 12 de março de 2009
As árvores
as árvores tecem a luz
e ficam verdes.
sereníssima paciência.
são como os homens, dançam
no bosque
esvoaçam na ventania.tecem
o dia limpo
envelhecem no fogo dos frutos
na amargura dos musgos.
e ficam verdes.
sereníssima paciência.
são como os homens, dançam
no bosque
esvoaçam na ventania.tecem
o dia limpo
envelhecem no fogo dos frutos
na amargura dos musgos.
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domingo, 8 de março de 2009
O mundo é a nossa casa
A Vida dos homens decorre no tempo. No tempo de vida e no tempo de viver.
Júlio Moreira
in O Mundo é a Nossa Casa
Júlio Moreira
in O Mundo é a Nossa Casa
quinta-feira, 5 de março de 2009
Caminho dos musgos
esta borrasca de pássaros
que atordoa a luz
da manhã. é bom olhar
assim tanta felicidade
alada: a que rompe o suave caminho
dos musgos. e, tu
sabes, virá o maio. andaremos
pelos montes, abundantes de
silêncio, cheios de paixão e mágoa.
que atordoa a luz
da manhã. é bom olhar
assim tanta felicidade
alada: a que rompe o suave caminho
dos musgos. e, tu
sabes, virá o maio. andaremos
pelos montes, abundantes de
silêncio, cheios de paixão e mágoa.
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