a palavra maio treme de frio
quando dita em janeiro. deixemos maio e
seus subterrâneos fogos
em pousio. agora é inverno: a palavra
mais branca que conheço.
sábado, 3 de janeiro de 2009
Os pós-modernos
O discurso pós-moderno é labiríntico,
descarta paradigmas e grandes narrativas, e em sua bagagem cultural coloca no mesmo patamar Portinari e Felipe Massa; Guimarães Rosa e Paulo Coelho; Chico Buarque e Zeca Pagodinho.
O pós-modernismo não tem memória, abomina o ritual, o litúrgico, o mistério. Como considera toda paixão inútil, nem ri nem chora. Não há amor, há empatias. Sua visão de mundo deriva de cada subjectividade.
Frei Betto
(in Jornal Fraternizar, nº172, Janeiro/Março 2009)
descarta paradigmas e grandes narrativas, e em sua bagagem cultural coloca no mesmo patamar Portinari e Felipe Massa; Guimarães Rosa e Paulo Coelho; Chico Buarque e Zeca Pagodinho.
O pós-modernismo não tem memória, abomina o ritual, o litúrgico, o mistério. Como considera toda paixão inútil, nem ri nem chora. Não há amor, há empatias. Sua visão de mundo deriva de cada subjectividade.
Frei Betto
(in Jornal Fraternizar, nº172, Janeiro/Março 2009)
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
novos dias
Os dias novos do novo ano. É preciso sol,
um pouco de sol, para pôr a secar a melancolia.
Palavra curiosa, a melancolia: suave de ouvir,
difícil de esconder.
um pouco de sol, para pôr a secar a melancolia.
Palavra curiosa, a melancolia: suave de ouvir,
difícil de esconder.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
a vitima troca de papel
O holocausto em Gaza
praticado com frieza pelos mesmos
que sofreram o holocausto.
praticado com frieza pelos mesmos
que sofreram o holocausto.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
[Palavras pisadas]
A cidade é um chão de palavras pisadas
a palavra criança a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância e a palavra medo.
A cidade é um saco um pulmão que respira
pela palavra água pela palavra brisa
A cidade é um poro um corpo que transpira
pela palavra sangue pela palavra ira.
A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.
A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.
José Carlos Ary dos Santos
a palavra criança a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância e a palavra medo.
A cidade é um saco um pulmão que respira
pela palavra água pela palavra brisa
A cidade é um poro um corpo que transpira
pela palavra sangue pela palavra ira.
A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.
A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.
José Carlos Ary dos Santos
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Finisterra
Releitura de Finisterra. A gisandra (perturba-me) estende raiz
na escrita límpida. Ressoam as misagras no abandono da casa. Volto à infância, fascinado com as trovoadas de carbureto.
na escrita límpida. Ressoam as misagras no abandono da casa. Volto à infância, fascinado com as trovoadas de carbureto.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Viagem
as palavras nunca
se enganam no caminho
guiam-se pelo silêncio das estrelas
às vezes andarilham no fogo da paixão
se enganam no caminho
guiam-se pelo silêncio das estrelas
às vezes andarilham no fogo da paixão
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