quinta-feira, 13 de março de 2008
Magnólia
Uma árvore. Uma árvore é uma árvore. Tu observas uma árvore e o que vês? Faço o mesmo. Que vejo eu na árvore? Outra pessoa observa-a. Que encontra ele? Damos nome à árvore: é uma magnólia. Talvez a outra pessoa lhe quisesse medir a idade pelo tronco: olhou-a para lhe saber a idade: a beleza da magnólia florida diluiu-se nesse olhar. Agora tu, a brancura florida por dentro do inverno incendeia-te! É a minha vez de ler a magnólia: vejo as flores, o tronco, fico emaranhado nos ramos partidos, carecem de poda para cerzir a ferida. Uma árvore, uma árvore é uma árvore.
segunda-feira, 10 de março de 2008
[carta de minha mãe]
com as trovoadas de Maio comeremos peixes do rio
abandona a arte da subtileza e traz assobios para os cães.
os marmeleiros já têm melros e outros frutos
as mãos, que as tuas mãos regressem de monte a monte.
Rui Duarte Mangas
(“as raparigas trazem braçadas
de lírios como se fossem estrelas mortas”,
hidra editores)
segunda-feira, 3 de março de 2008
Gosto deste gato
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Veloz primavera
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Bestiário para as crianças
Toupeira
Um bicho verdadeiramente apaixonado
pela intimidade da terra.
Vespa
Abelha que não aprendeu a ser doce.
Um bicho verdadeiramente apaixonado
pela intimidade da terra.
Vespa
Abelha que não aprendeu a ser doce.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Se te disser o meu nome

Estás a olhar para mim, eu sei. E já descobriste uma nuvem a sair do meu mundo, como se as nuvens fossem o suave fumo da casa dos sonhos. Não é meu propósito orientar a tua forma de ver. De me veres em silêncio. A cores. Agora fixas os meus olhos. Não. Antes da descoberta do fumo dos meus sonhos, tu passaste por aí: foi isso, a tristeza dos meus olhos, que te fez desviar de repente o olhar.
Se te disser o meu nome, irás olhar-me de outra maneira. Acredita, o nome torna-me menina. E eu quero ser uma menina. Enquanto ouvias, eu vi, reparaste num breve sorriso. Este sorriso, este doce sorriso como uma tangerina, prende-te. E agora, sim, observas-me, sem receio, pelos lábios. Sou uma menina, tenho nome,uma casa inventada na cabeça. Pode parecer estranho, mas eu estou dentro da
casa, da casa dos sonhos: fiz uma fogueira com rama de alecrim e giestas, corri para a janela. E aqui estou, sempre aqui estive, à janela. A olhar para ti.
Se te disser o meu nome, irás olhar-me de outra maneira. Acredita, o nome torna-me menina. E eu quero ser uma menina. Enquanto ouvias, eu vi, reparaste num breve sorriso. Este sorriso, este doce sorriso como uma tangerina, prende-te. E agora, sim, observas-me, sem receio, pelos lábios. Sou uma menina, tenho nome,uma casa inventada na cabeça. Pode parecer estranho, mas eu estou dentro da
casa, da casa dos sonhos: fiz uma fogueira com rama de alecrim e giestas, corri para a janela. E aqui estou, sempre aqui estive, à janela. A olhar para ti.
(desenho: Elsa Navarro)
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Elsa Navarro
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Paciência vegetal

A natureza cultiva a paciência. Roubaram-lhe o chão, a terra, e ela jamais renuncia (as vitórias do homem são transitórias). Devagar, ilude a mortalha de pedra, amarinha na parede, aparece à janela e bebe o dia. Só o cão, por certo, como se chama o cão?, compreenderá a sereníssima paciência vegetal. O cão. Que fareja este cão de caça, longe da serra, longe dos rastos orvalhados da manhã.
(Foto de Augusto Baptista)
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